Avançar para o conteúdo principal

O meu filho tem três anos mas vou já oferecer-lhe um avião particular!

Prendas. De todas as formas e feitios. Em quantidades astronómicas que a criança nem sequer tem tempo para brincar com tudo o que lhe deram...

A muitos poucos dias do primeiro aniversário do meu baby, este é um assunto que não pode deixar de estar presente na minha mente. Numa sociedade cada vez mais (demasiado!) consumista e em que vejo mães preocupadas com que prenda material podem dar a uma criança de seis, sete ou oito anos, assusta-me e penso se estaremos a passar os valores correctos aos nossos filhos. Ou, pelo menos, se o estaremos a fazer da forma correcta... Obviamente que uma criança necessita de brinquedos, daqueles adequados à sua idade, para promover o seu desenvolvimento psíquico e motor. Não se lhe deve vedar a possibilidade de brincar pois as crianças são mesmo para isso: para brincar! Mas será que, ao estaremos sempre em busca do presente versão última bolacha do pacote, não lhes estaremos a transmitir que necessita sempre de estar em busca do último berro em objectos que as distingam das demais? Não será melhor proporcionar às crianças experiências que as construam como pessoas. Momentos que lhes fiquem na memória e que, passados uns anos, os façam pensar que ser criança valeu a pena e que a infância os marcou positivamente?

Sinceramente que me faz confusão quando vejo mães dizerem que uma criança de tão tenra idade não valoriza experiências pois prefere algo material. E assusta-me ainda mais quando há mães que dizem que apenas se derem um objecto às suas crianças têm a garantia de que elas se vão lembrar, no futuro, de quem lhes deu o presente.  Será mesmo assim? Será que uma tarde de gargalhadas a descobrir coisas novas não nos deixa melhores recordações do que uma boneca ou um carrinho? Bem sei que sou mãe há muito, muito pouco tempo e posso estar a ver estas questões da parentalidade de uma forma demasiado utópica... Mas será demasiado utópico permitir ao meu filho que associe as datas importantes a experiência para a vida, junto da natureza e dos animais, permitindo-lhe descobrir os seus gostos e aquilo que mais lhe desperta a curiosidade para o futuro?

Se calhar sou eu que estou errada e já devia ter encomendado o avião particular com um laçarote gigante como prenda deste primeiro aniversário... blas, será que ainda vou a tempo de o encomendar??

Comentários

Mensagens populares deste blogue

You shall not pass!... Ou como depois de estarem cá fora, os nossos filhos podem trocar-nos completamente as voltas!

Por estes dias, vi uma imagem no Facebook sobre a qual não pude deixar de escapar um sorriso... E aqui está ela:

Quantas de nós, durante a gravidez de nos primeiros meses após o parto, não tivemos conversas como as da imagem de cima? Num mundo perfeito, cor-de-rosa e utópico, tudo na maternidade corre como planeámos ou idealizámos durante a gravidez. Nada nos consegue trocar as voltas, o nosso bebé dorme a noite inteira desde que sai da nossa barriga. Nada de choros, cólicas nem vê-las! E quando chegar a altura da introdução da alimentação complementar, vamos ser umas mães do que perfeitas e vamos dar sempre toda a alimentação o mais caseira possível. Nada de cerelacs e afins para os nossos filhotes. E muito menos TV e coisas desse género que são o entretenimento mais fácil a que os pais podem recorrer quando estão desesperados com a casa em estado de guerra e não conseguem fazer nada. Somos todas mães em modo Gandalf... Papas industrializadas, canais Panda, Baby First e afins, you s…

O meu bebé já se senta e consegue transformar uma abóbora num barco com um canivete suíço!

Todos os pais, principalmente, na fase em que os filhotes são bebés, anseiam por todas as coisas novas que ele será capaz de fazer. Acompanhar objectos com o olhar, rebolar, sentar sem apoio, conseguir sentar-se sozinho, gatinhar, andar... E por aí fora! Estamos sempre à espera de quando será o momento e sempre a desejar conseguir imortalizar o momento em foto ou vídeo... E todas estas conquistas do nosso bebé surgem, inevitavelmente, em qualquer conversa que tenhamos com outras mães. E é aí que nos podemos começar a corroer por dentro...
Em todas as conversas, parece que os bebés das nossas amigas, e que têm menos idade que o nosso, conseguem sempre fazer muito mais coisas. É porque dorme a noite inteira desde que saiu da barriga (e não da maternidade que isso já é muito tarde!) e o nosso continua ainda a acordar de hora a hora para comer. É porque mama de 4h em 4h desde que saiu da maternidade e, nesse tempo, as nossas amigas conseguem ir ao ginásio, ao cabeleireiro, à manicure e à…